Acusada de ‘ferir decoro’, Katia Abreu é expulsa de PMDB de Temer, Jucá e Sarney

Até outro dia ninguém sabia que o PMDB, sigla que abriga Romero Jucá, José Sarney, Moreira Franco, Eliseu Padilha e Michel Temer tinha uma Comissão de Ética. Mas ela não só existe como decidiu hoje expulsar a senadora Kátia Abreu (TO) do partido por “ferir o decoro”.


De acordo com o presidente da comissão, Eduardo Krause, os membros do colegiado acompanharam por unanimidade o voto da relatora do processo, Rosemary Soares Antunes Rainha. A decisão da comissão foi comunicada de imediato ao presidente do PMDB, o senador Jucá (RR).

Em nota, Romero Jucá disse que o PMDB acatará a decisão da comissão. “O partido acatará de imediato a decisão do Conselho de Ética, que expulsou a senadora Katia Abreu. A medida demonstra nova fase de posicionamento do partido”, diz a nota. Com a decisão, a senadora deverá ter cancelado o registro de filiação dela à legenda. Os representantes da “ala presidiária” do partido, Jorge Picciani, Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, porém, continuam integrando as fileiras do PMDB. Flagrado com um apartamento cheio de grana, Geddel foi apenas afastado da direção nacional até agora.

O processo para expulsar a senadora Katia Abreu teve início em setembro do ano passado após ela ter votado contra a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff, contrariando orientação do partido. Ela foi a ministra da Agricultura na gestão de Dilma e se mostrou leal à presidenta em todos os momentos. A senadora ainda tem feito críticas ao governo do presidente Michel Temer e se posicionado contra matérias enviadas pelo governo ao Congresso Nacional, como a reforma da Previdência e a reforma trabalhista.

Em viagem ao exterior, a senadora se posicionou no twitter e disse que ficará sem partido por enquanto.



Kátia Abreu também soltou nota por meio de sua assessoria colocando o nome da comissão entre aspas. “A comissão de ‘ética’ do PMDB decidiu pela minha expulsão do partido de Ulisses Guimarães e Tancredo Neves. Fui expulsa exatamente por não ter feito concessão à ética na política. Fui expulsa por defender posições que desagradam ao governo. Fui expulsa pois ousei dizer não a cargos, privilégios ou regalias do poder.

A mesma comissão de ‘ética’ não ousou abrir processo contra membros do partido presos por corrupção e crimes contra o país. Fiquei no PMDB e não saí como queriam. Fiquei e lutei pela independência de ideias e por acreditar que um partido deve ser um espaço plural de debates. A democracia não aceita a opressão. Hoje os membros da comissão de ‘ética’ imprimiram na história do partido que lutou contra a ditadura a mácula do sectarismo e da falta de liberdade. Sigo na luta política. Sigo com Ética. Sigo sem medo e firme nos meus propósitos, pois respeito minha família, respeito o povo do Tocantins e do Brasil, que ainda acreditam que esse país pode ser melhor.”

Da redação Socialista Morena com informações da Agência Brasil