Líder da oposição francesa diz que Lula foi condenado sem provas

Jean-Luc Mélenchon, principal opositor do governo neoliberal de Macron, publicou duas notas sobre a perseguição a Lula, uma curta no seu Facebook as 18:42 e outra bem mais longa e detalhada as 20:09. A primeira mais curta foi publicada no 247 e a segunda bem mais longa e detalhada envio aqui após uma tradução que com alguns erros (ninguém é perfeito):


Lula, o candidato indispensável do povo contra a oligarquia!

Na quarta-feira, 24 de janeiro, em Porto Alegre, os três juízes do Tribunal Regional Federal acabaram de repetir o veredicto do acórdão na segunda instância do ex-presidente Luis Inácio da Silva. Aceitando o resultado da primeira instância, Lula acaba de ser condenado por unanimidade com um aumento de três anos na pena, de 9 a 12 anos.

Os juízes não trouxeram novos elementos para o julgamento e, como denunciados pela defesa de Lula, ainda não possuem provas concretas para provar sua culpa. É com base nessa certeza que Lula apelará para a autoridade superior do Supremo Tribunal Federal.

Em apoio ao principal líder político na história política da América Latina, o Parti de Gauche denuncia este julgamento arbitrário em que os juristas internacionais de todos os lados verificaram graves irregularidades processuais, como o uso indevido de delações premiadas para a obtenção de provas, a comprovada conivência entre os juízes da primeira instância com os de segunda, a execução de um julgamento de forma inusitadamente acelerada, ainda uma incompatibilidade entre o objeto da acusação contra Lula e os fatos de que a sentença tentou demonstrar. Esta negação de justiça, como o golpe institucional de Temer, teria sido impossível sem o apoio ativo dos Estados Unidos da América, que de Honduras até a Argentina retoma suas velhas formas de interferir nos assuntos internos dos países da Latino-americanos.

Assim que a sentença foi pronunciada, todos os líderes políticos da esquerda votaram em apoio do líder. Lula goza de uma ótima base popular e continuará sua bela campanha eleitoral. Apenas uma possível condenação da justiça eleitoral, a partir de agosto, uma vez que a campanha eleitoral for iniciada poderia impedir Lula de defender o único projeto político capaz de acabar com a destruição do estado de direito cometido pelo governo Temer desde o golpe de estado de 2016.


Desde ontem, centenas de milhares de pessoas se mobilizaram em Porto Alegre e em outras cidades. No Rio, a sede da empresa de TV Globo foi ocupada por dois dias como denúncia da cobertura de tendenciosa deste grupo de mídia, o mais poderoso do país. A prova é que, tão cedo quanto 10 horas, uma hora após o início do julgamento e muito antes da conclusão da sentença do primeiro juiz, outro grupo de televisão privado, o Bandeirantes, já havia vazado a informação da condenação seria por unanimidade. É inaceitável que um estado como o Brasil tenha uma justiça tão influente e arbitrária.

O Parti de Gauche continua esperançoso de que a ira popular irá dobrar os juízes corruptos nas ruas e permitir eleições verdadeiramente democráticas no Brasil. Apoia as mobilizações populares que visam apoiar o relaxamento de Lula e a queda do sistema Temer.”

Nota de Jean-Luc Mélenchon. Tradução de Rogerio Maestri no Jornal GGN