Dilma: tentativa de censura à UnB é “típico de estados de exceção”

A presidente deposta Dilma Rousseff criticou nesta quinta-feira (22) as declarações do ministro da Educação, Mendonça Filho, de que irá acionar órgãos de controle para vetar do programa do curso de graduação em Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) a disciplina sobre o “golpe de 2016”.


“Censurar, agora, uma disciplina na UNB que caracteriza como golpe o processo inaugurado pelo impeachment, em 2016, deixa evidente o aprofundamento do arbítrio e da censura”, disse Dilma em sua página no Facebook.

Ministrada pelo professor Luis Felipe Miguel, as aulas da disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” começam em duas semanas e abordarão, com base em uma extensa referência bibliográfica, os elementos da ruptura democrática com o golpe que culminou no impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff em 2016 e farão uma análise política do Brasil moderno, passando pelas agendas de retrocesso do governo Michel Temer, a Lava Jato, até a ascensão do chamado “parafascismo”.

Na noite desta quarta-feira (21), no entanto, Mendonça Filho informou à imprensa que vai entrar com uma ação em diversos órgãos de controle para impedir que sejam ministradas as aulas, atropelando o conceito de autonomia universitária previsto na Constituição Federal.

“Impedir que se chame os fatos e acontecimentos pelo nome é reação típica dos regimes de exceção. No passado, durante a ditadura, era proibido dizer que havia presos políticos no Brasil, embora ele enchessem os presídios país afora”, criticou Dilma, que ainda chamou Mendonça Filho de “pseudo-ministro.

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Leia, abaixo, a nota de Dilma Rousseff na íntegra:

Manifesto minha solidariedade ao professor Luis Felipe Miguel, da UNB, diante da arbitrária e retrógrada censura feita pelo ministro da educação à sua cátedra “O golpe de 2016 e o futuro da democracia”.

Impedir que se chame os fatos e acontecimentos pelo nome é reação típica dos regimes de exceção. No passado, durante a ditadura, era proibido dizer que havia presos políticos no Brasil, embora ele enchessem os presídios país afora.

Durante o impeachment, sem crime de responsabilidade, tentaram de todas as formas bloquear a denúncia do novo tipo de golpe que estava ferindo a democracia brasileira.

Censurar, agora, uma disciplina na UNB que caracteriza como golpe o processo inaugurado pelo impeachment, em 2016, deixa evidente o aprofundamento do arbítrio e da censura.

Os atos do pseudo-ministro são uma terrível agressão à autonomia universitária, à cultura acadêmica, à livre circulação de ideias e à própria democracia. É abuso típico dos estados de exceção. Os maiores inimigos da cultura e da educação.

(*Com informações da Revista Fórum)