O que as condenações de Lula e Carli Filho revelam sobre o judiciário brasileiro

Se por um lado um apartamento triplex supostamente usado como propina pode gerar uma pena de 12 anos e 1 mês de prisão, um duplo homicídio pode render uma pena um tanto quanto menor.


Nove anos após ser acusado de matar dois jovens em uma colisão de trânsito em Curitiba, o ex-deputado estadual do Paraná, Luiz Fernando Ribas Carli Filho, foi condenado por duplo homicídio com dolo eventual pelo Tribunal do Júri de Curitiba a nove anos e quatro meses de prisão.

O júri popular, realizado na capital paranaense nesta quarta-feira (28), entendeu que o ex-parlamentar assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado, com a carteira de habilitação (CNH) suspensa e em alta velocidade.

O acidente aconteceu na madrugada do dia 7 de maio de 2009 e vitimou os estudantes Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida.


Eles estavam em um veículo que foi atingido pelo Passat Variant conduzido por Carli Filho, a uma velocidade estimada de 170 km/h, em uma via com limite de velocidade de 60 km/h.

O dolo do homicídio se deve ao fato de que, além de embriagado e em alta velocidade, Carli Filho já tinha por hábito a prática criminosa, já que sua CNH estava suspensa em decorrência de 130 pontos acumulados entre 2003 e 2009, devido a 30 multas – a maioria delas por excesso de velocidade.

Apesar da condenação à prisão em regime fechado, o ex-deputado estadual poderá recorrer em liberdade, já que a justiça entendeu que ele “não oferece riscos”.

Fonte: Revista Fórum