Coronel da PM reclama da comoção pela morte de Marielle e ataca a vereadora

Washington Lee Abe, coronel da Polícia Militar, manifestou irritação com a comoção popular em torno da morte da vereadora Marielle Franco, executada na última quarta-feira (14).


Em sua declaração, o coronel sugere que Marielle não representaria o que chamou de “cidadãos de bem” da sociedade brasileira.

“Por que tanta tentativa de transformar essa vereadora em mártir? Ela representa o povo? Que povo? Qual segmento do povo? Do cidadão de bem?”, diz Abe em carta divulgada nesta quinta-feira (15).

“E quando morrermos em combate, tentando salvar uma vida inocente que clama pela nossa presença, vamos aguardar pacientemente os políticos, a imprensa, autoridades que estão fazendo todo esse alarde pela morte dessa ‘pessoa’ intitulada vereadora, promotora dos direitos humanos, mãe, homossexual (como ela mesma se apresenta) fazerem também o mesmo alarde exigindo respostas rápidas e firmes das autoridades? O mais incrível é declararem em coro que os matadores ‘sabiam atirar’, insinuando serem policiais”, prosseguiu o policial.


Marielle Franco era conhecida pela sua militância contra a violência policial nas comunidades carentes. A vereadora era, inclusive, relatora da comissão que acompanha a intervenção militar no Rio. Milhares de pessoas foram às ruas ontem nas principais cidades brasileiras para homenagear a parlamentar.

Washington Lee Abe é comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar do Paraná (PR).

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Origem da munição

Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil nesta sexta-feira (16), a munição utilizada pelos assassinos de Marielle é de lotes vendidos para a Polícia Federal de Brasília em 2006.

De acordo com a perícia da Divisão de Homicídios, o lote de munição UZZ-18 é original, ou seja, ela não foi recarregada. Agora, as polícias Civil e Federal vão iniciar um trabalho conjunto de rastreamento.

De acordo com a investigação, os lotes de munições foram vendidos à PF de Brasília pela empresa CBC no dia 29 de dezembro de 2006, com as notas fiscais número 220-821 e 220-822.


A execução

De acordo com os investigadores, Marielle não tinha o hábito de andar no banco de trás do veículo, que tem filme escuro nos vidros. Na noite desta quarta, no entanto, ela estava no banco traseiro quando o crime ocorreu, o que seria mais uma prova de que os assassinos estavam observando a vítima há algum tempo.

A perícia constatou que os tiros entraram pela parte traseira do lado do carona, onde Marielle estava sentada, e três disparos acabaram atingindo o motorista. De acordo com a Divisão de Homicídios, o atirador seria experiente e sabia o que estava fazendo.

Confira aqui o que já se sabe sobre o assassinato de Marielle Franco.

Com informações de Pragmatismo Político.