Estado mínimo? Por que todos os membros do MBL querem virar políticos?

Com poder e influência cada vez maiores, o MBL diversificou a sua pauta e não se limita ao discurso do liberalismo econômico e seus ideais de Estado mínimo e livre mercado.


Agora, o movimento que ganhou projeção nacional com a defesa do antipetismo e de uma suposta bandeira anticorrupção tem se aventurado a debater moral e costumes. Entre as pautas abraçadas pelo MBL está, por exemplo, o projeto Escola Sem Partido e o combate à discussão de gênero nas escolas.

“Ainda que eles defendam uma ideologia liberal e invoquem autores como [Ludwig Von] Mises e [Friedrich] Hayek, eles mantêm proximidade com militantes e lideranças do campo conservador. Então eu diria que, hoje, o MBL é um movimento liberal-conservador”, afirma a cientista política Camila Rocha, doutoranda na Universidade de São Paulo (USP).

Para a escritora e jornalista Eliane Brum, agir ora como liberal, ora como conservador faz parte da estratégia de sobrevivência do MBL, pois dá ao movimento “uma consistência que não condiz com a realidade de seu conteúdo”. “Eles são o que lhes for conveniente ser”, escreveu Brum sua coluna no El País Brasil.

A necessidade de responder a uma base heterogênea faz com que o MBL não seja coerente, tanto do ponto de vista ideológico quanto estratégico, diz a pesquisadora Camila Rocha. “Eles tentam se coordenar minimamente, mas a impressão que eu tenho é a de que o movimento não é tão coeso. Essa decisão de apoiar o boicote ao Santander, por exemplo, não foi recebida sem conflito pelos simpatizantes do MBL. Teve gente que não gostou.”


Candidaturas em 2018

O ativista Kim Kataguiri, fundador e líder do Movimento Brasil Livre (MBL), afirmou que as ideias e as posturas políticas e econômicas do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) nada têm a ver com as do movimento, praticamente descartando a possibilidade de apoiar o polêmico pré-candidato na eleição presidencial.

Kim afirmou que o MBL pretende eleger 15 deputados federais em 2018 e que candidaturas a deputados estaduais também serão incentivadas Brasil afora.

Arthur do Val: “Meu plano é em 2018 ser candidato a deputado estadual, ingressar na política e fazer a diferença para mudar o Brasil. Quero me candidatar já, e o Kim [Kataguiri, coordenador do MBL] também, para deputado federal.”

Lembrando que o Fernando Holiday já foi eleito vereador em São Paulo pelo partido Democratas em 2016.

Com informações de Carta Capital.