Um ano da delação de Joesley: todos estão soltos aproveitando o dinheiro roubado do povo brasileiro

Embora os acordos de colaboração de executivos da Odebrecht tenham sido esperados como “a delação do fim do mundo”, foram as revelações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, que estremeceram a República. Ao todo, os depoimentos relatam repasses indevidos a 1.829 candidatos eleitos de 28 partidos. Alguns deles, contudo, foram mais expostos durante o último ano aos efeitos jurídicos – e políticos – do escândalo.


As informações do acordo firmado entre os executivos da JBS e o Ministério Público Federal (MPF) foram reveladas em 17 de maio do ano passado pelo colunista Lauro Jardim. Entre elas, a conversa gravada entre Joesley e Michel Temer (MDB) nos porões do Palácio do Jaburu, na qual o político afirma: “tem de manter isso aí”, em uma possível referência ao silêncio do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ).

A repercussão foi tamanha que o presidente teve de vir a público, no mesmo dia, para afirmar: não renunciaria ao cargo.

O discurso, contudo, não foi suficiente para apaziguar os efeitos da delação. Os depoimentos dos executivos serviram de base para a apresentação de duas acusações pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer. Uma, em junho, por corrupção passiva, e outra, em setembro, por organização criminosa e obstrução da Justiça. Pela primeira vez, um presidente da República no exercício do mandato foi alvo de uma denúncia do MPF.

Leia também: Papa Francisco condena golpes forjados pela mídia e condenações sem provas;

Ambas tiveram tramitação suspensa após votação na Câmara dos Deputados. A blindagem de Temer pelo Congresso, contudo, custou todo o capital político do presidente, que se submeteu à liberação de emendas parlamentares, distribuição de cargos e aprovação de medidas polêmicas. Em contrapartida, não teve sucesso em aprovar algumas das principais pautas de sua gestão, como a reforma da Previdência.

Flagrado correndo com uma mala recheada de R$ 500 mil pelas ruas de São Paulo (vídeo abaixo), o ex-assessor especial de Temer e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR) chegou a ser preso um mês depois das delações. Solto em junho, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ele vive hoje em Brasília, mas fora da vida pública e monitorado por uma tornozeleira eletrônica.


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também sentiu na pele o “efeito JBS”. Após ver sua irmã e braço direito, Andrea Neves, permanecer detida por 34 dias, o tucano foi afastado do mandato parlamentar pelo STF – medida depois revogada pelo Senado. Hoje, o político, que quase chegou à Presidência da República, é réu em uma ação penal no Supremo e pode não concorrer a cargo eletivo em 2018.

Em setembro de 2017, os acordos de colaboração – bem como as vantagens concedidas aos delatores – começaram a ser questionados, após o vazamento de uma conversa entre Joesley Batista e o executivo da JBS Ricardo Saud. No áudio, os dois revelam informações omitidas de seus depoimentos ao Ministério Público Federal, o que provocou a rescisão, pela Procuradoria-Geral da República, dos benefícios aos empresários.

As informações fornecidas pelos irmãos Joesley e Wesley, contudo, continuam a ser utilizadas em investigações na Justiça brasileira. Um ano após a delação da JBS, seus efeitos políticos estão longe de chegar ao fim.

Com informações de Plantão Brasil.