Programa de Marcela Temer não começou a atender crianças

BRASÍLIA – Com orçamento comprometido no governo federal, estados e municípios, o Palácio do Planalto cogita parcerias privadas para o programa Criança Feliz. Apadrinhado pela primeira-dama Marcela Temer e lançado há sete meses, o Criança Feliz ainda não começou a atender beneficiários. Só para este ano, a verba prevista para o programa caiu de R$ 1 bilhão para R$ 300 milhões.


As prefeituras podem ter dificuldade de contratar. Todas estão quebradas — disse ao GLOBO o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra.

Uma possibilidade é usar estudantes de ensino superior de saúde e licenciatura como monitores, por meio de programas de extensão ou estágio. Além de mão de obra, o governo recebeu ofertas de espaços, bolsas e capacitação.

— Estou falando com o Mendonça Filho (ministro da Educação). Sugeri que fosse algo curricular essa possibilidade de participar do Criança Feliz — emendou Terra.

A participação de capital privado em governo ganhou força na prefeitura de João Doria. Segundo o prefeito tucano, que tem forte ligação com o meio empresarial, em quatro meses, a prefeitura recebeu R$ 286 milhões de doações. A lista inclui até tapetes, materiais de escritório e ovos de páscoa.


Marcela Temer já teve reuniões com representantes do grupo educacional Kroton e do hospital Albert Einstein, além de fundações filantrópicas, órgãos das Nações Unidas e organizações não governamentais. A Kroton Educacional colocou à disposição estúdios para capacitação e comunicação em todo o Brasil.

— Nossos estúdios fazem a comunicação com 900 cidades em todos os estados. Nosso portal de empregabilidade, que tem mais de 200 mil alunos inscritos, também está disponível para o Criança Feliz — afirma Gislaine Moreno, diretora de Desenvolvimento Institucional da empresa, que tem mais de um milhão de estudantes de ensino superior.

Até agora, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) só anunciou parcerias com fundações sociais, como a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Instituto Alfa e Beto, e a Cátedra Instituto Ayrton Senna.

A despeito de ainda não haver acordos fechados, o ministro Osmar Terra gravou uma aula sobre primeira infância nos estúdios da Kroton em São Paulo. A lição já está disponível para os alunos da rede.

O governo também quer lançar mão de universidades públicas. A UFRGS ofereceu capacitação à distância. No fim deste mês, será assinado um acordo de cooperação entre as universidades interessadas e o Ministério do Desenvolvimento Social.

PROGRAMA PARADO

O programa federal foi lançado há sete meses em cerimônia no Palácio do Planalto, mas ainda não começou a atender beneficiários. O MDS informa que, até o fim deste mês, deve iniciar as visitas às crianças de até três anos, em famílias do Bolsa Família, e de até seis anos, em famílias que recebem o Benefício de Prestação Continuada. Meninos e meninas com zika terão prioridade.

Dos 3.279 municípios elegíveis, 2.547 aderiram ao Criança Feliz – 54 são no Rio. Bahia, Minas Gerais e São Paulo são os estados que terão mais cidades no programa.

O orçamento do Criança Feliz foi de R$ 27 milhões em 2016, é de R$ 300 milhões neste ano e será de R$ 1,5 bilhão em 2018. Inicialmente, a previsão era que as cifras deste ano chegassem a R$ 1 bilhão, e dobrassem no ano que vem. A meta é atender 400 mil crianças em 2017.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/programa-de-marcela-temer-nao-comecou-atender-criancas-21344951#ixzz4hFFL6BzV
stest