Juiz Sérgio Moro precisa explicar sua conduta no ‘Caso Banestado’ para ter legitimidade

O enredo deste conto nada infantil retrata a história de um juiz que fez na Lava Jato tudo o que não fez no Banestado.

Era uma vez um juiz chamado Sérgio Moro que julgou os processos do Banco do Estado do Paraná (Banestado). Assim como na Lava Jato, o caso do Banestado teve uma força-tarefa, investigadores, procuradores, delatores, grupos empresariais e empreiteiras.


Mas no cerne da investigação estavam políticos do PSDB, tucanos de pura linhagem que tiveram os seus crimes prescritos pela Justiça. A mídia, que não sentiu o fragor investigativo que a tomou durante o auge da Lava Jato, ignorou figuras como Alberto Youssef, Marcos Valério, Toninho da Barcelona e Nelma Kodama.

Em números exatos, o caso do Banestado coloca a Lava Jato no chinelinho. As remessas ilegais para o exterior, através de lavagem de dinheiro, aproximaram-se dos 134 bilhões de dólares. Ou mais de meio trilhão de reais em valor presente. Para ser exato, 520 bilhões.

Até um falso grampo no gabinete do ministro Gilmar Mendes serviu de pretexto para melar a operação contra o banqueiro Daniel Dantas, que, aliás, operava uma das contas-ônibus no escândalo do Banestado.

O tucano Antero Paes de Barros,  presidente da CPI do Banestado, tentou proteger os próceres do partido e aliados citados na investigação. Uma conveniente briga entre José Mentor (PT-SP) e Barros marcou o encerramento da apuração no Congresso em dezembro de 2004. No ano seguinte, um novo escândalo, o “mensalão”, sepultaria de vez o interesse pelas contas ilegais no exterior.

Passado o escândalo, nenhum juiz, procurador ou investigador do Banestado recebeu as benesses de Sérgio Moro: ser alçado às glórias do heroísmo.

Com informações da CartaCapital.