Romero Jucá (aquele mesmo) participa do conselho de ‘Ética’ que livrou Aécio

O Brasil não é para amadores. No senado, o conselho deveria ser responsável por analisar eventuais denúncias por quebra de decoro parlamentar que podem levar à cassação do mandato. Ou seja, deveria ser um conselho apenas com os parlamentares mais éticos da casa, na teoria. Mas por aqui temos o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que é membro titular do colegiado. Ele é alvo de oito inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), é mole?


Por 11 a 4, Aécio é salvo no Conselho de Ética

O Conselho de Ética do Senado confirmou, na manhã desta quinta-feira 6, o arquivamento do pedido de cassação do mandato de Aécio Neves (MG), presidente afastado do PSDB. Por 11 votos a 4, os senadores decidiram manter a decisão do presidente do colegiado, João Alberto Souza (PMDB-MA), que em 23 de junho arquivou a decisão monocraticamente.

Após as delações da JBS se tornarem públicas, a Rede e o PSOL pediram ao conselho que cassasse o mandato de Aécio por quebra de decoro parlamentar. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou a pedir a prisão do tucano ao Supremo Tribunal Federal, mas o ministro Edson Fachin negou. Após o caso ser redistribuído no STF, o novo relator, Marco Aurélio Mello, devolveu o mandato de Aécio.

Segundo a PGR, Aécio tinha um plano para barrar as investigações da Lava Jato, inclusive por meio da escolha de delegados da Polícia Federal que investigariam os parlamentares, e pediu propina a Joesley Batista, da J&F. Na terça-feira 4, Aécio voltou ao Senado e disse ter sido vítima de uma armadilha.

Na quinta-feira 6, o senadores votaram a respeito a aceitação ou não do recurso apresentado pela Rede acerca da decisão de João Alberto Souza.

A base do governo Michel Temer foi decisiva no resultado. O PSDB está dividido a respeito do desembarque do governo, e Aécio, enrolado na Justiça, lidera a ala que deseja permanecer com Temer, apesar das denúncias.

Confira como votaram os senadores:

Quem votou “não” para salvar Aécio:

Airton Sandoval (PMDB-SP)

Romero Jucá (PMDB-RR)

Hélio José (PMDB-DF)

Davi Alcolumbre (DEM-AP)

Flexa Ribeixo (PSDB-PA)

Eduardo Amorim (PSDB-SE)

Gladson Cameli (PP-AC)

Acir Gurgacz (PDT-RO)

Telmário Mota (PTB-RR)

Pedro Chaves (PSC-MS)

Roberto Rocha (PSB-MA)

Quem votou “sim” pela continuidade da ação:

Lasier Martins (PSD-RS)

José Pimentel (PT-CE)

João Capiberibe (PSB-AP)

Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)