Do que adianta o exército invadir favelas, se a droga vem da fazenda dos senadores?

Nos últimos dias, as forças de segurança estão cada vez mais presentes com operações em seis favelas: Jacarezinho, Manguinhos, Mandela, Bandeira 2, Complexo do Alemão, Parque Arará.


O ministro da Defesa do Brasil disse que o exército vai assumir um papel cada vez mais agressivo no combate ao tráfico de droga no Rio de Janeiro. Raul Jungmann afirmou, numa conferência de imprensa, que as tropas não vão apenas fazer patrulhas, ocupar ‘checkpoints’ e ajudar a recuperar armas automáticas escondidas. O exército será usado em operações policiais contra traficantes de armas, disse.

O ministro reconheceu que os traficantes controlam cerca de 800 favelas do Rio de Janeiro. Mas quem fornece as  drogas para estes traficantes?

Caso Blairo Maggi

A Força Aérea Brasileira (FAB) interceptou um avião bimotor, na região de Aragarças (GO), em uma ação que culminou na apreensão de 653 quilos cocaína.


De acordo com a FAB, o avião, de matrícula PT-IIJ, decolou da Fazenda Itamarati Norte, no município de Campo Novo do Parecis (MT) com destino a Santo Antonio Leverger (MT). A Fazenda Itamarati Norte pertence ao senador licenciado e ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP).

Caso Zezé Perrella

Em 2013, um helicóptero pertencente à Limeira Agropecuária, de Gustavo Perrella, foi flagrado pela Polícia Federal com 445 kg de cocaína. O piloto da aeronave, que era funcionário do gabinete de Gustavo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foi preso em flagrante, junto com outras três pessoas.

A Justiça livrou o deputado das acusações.

O pedido de absolvição ocorreu depois que o Tribunal Federal da Segunda Região mandou devolver o helicóptero à família Perrella, anulando decisão do juiz de primeira instância, que queria o confisco, com base na lei de combate ao tráfico. Segundo a legislação, bens usados usados no preparo, transporte ou venda de drogas devem ter sua propriedade transferida ao Estado.

A participação do senador Zezé Perrella foi sumariamente descartada pela PF neste caso, alguns dias depois do flagrante, e com isso o Tribunal entendeu que não seria justo deixá-lo sem o helicóptero

Na conversa interceptada pela Polícia Federal entre o senador Aécio Neves, do PSDB, e Zezé Perrela, do PMDB, no dia 13 de abril deste ano Perrela diz: “Na verdade eu sou muito agredido pelo negócio do helicóptero até hoje, sabe Aécio, eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas“, diz Perrella. Aécio reage rindo.