A foto mais obscena destes nossos tempos é da festa da IstoÉ

No futuro, essa foto, mais do que qualquer outra imagem, será a representação simbólica desses dias de caos e desesperança.

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É o instantâneo de todo o absurdo em que vivemos: um clarão sobre as personagens tétricas de uma ópera bufa patrocinada por uma revista que, hoje, é o emblema máximo da indigência moral da mídia e dos jornalistas brasileiros.

Nela, estão todas as deformações possíveis que resultaram do golpe parlamentar que derrubou uma presidenta eleita e jogou o País no lixo da História: o presidente ilegítimo, o juiz parcial, o senador patético, o governador bestial e o ministro sem sentido.

 Que o juiz da região agrícola e o senador multicitado na Lava Jato tenham sido flagrados entre sussurros e risadas, não há de admirar ninguém.

Essa intimidade obscena, protagonizada por essas duas figuras lamentáveis, em um convescote de quinta categoria, é, literalmente, o retrato da república de bananas que nos tornamos.

Publicado originalmente no Facebook de Leandro.

 

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Entenda as acusações de Calero contra Temer

Empossado interinamente em maio e definitivamente em agosto, Michel Temer ascendeu com a promessa de “unir o Brasil” após o impeachment de Dilma Rousseff. Uma vez no cargo, Temer conseguiu arregimentar uma base parlamentar grande, formada pela antiga oposição liderada por PSDB e DEM e pelo chamado “centrão”. Agora, a composição passará por um teste de estresse. As acusações feitas pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero são graves e a oposição articula um impeachment contra o peemedebista.

Quais são as acusações de Calero contra Temer?

O ex-ministro afirma que foi convocado por Temer ao Palácio do Planalto em 17 de novembro e que foi “enquadrado” pelo presidente, ansioso para resolver uma disputa entre Calero e o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Segundo contou Calero à Polícia Federal, Temer afirmou que a disputa havia criado “dificuldades operacionais” em seu gabinete posto que “o ministro Geddel encontrava-se bastante irritado.” Assim, Temer pediu a Calero que enviasse o caso para a Advocacia-Geral da União (AGU) “porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução”.

Qual era o motivo da disputa entre Calero e Geddel?

Os dois ministros se desentenderam por conta da construção do empreendimento de luxo La Vue Ladeira da Barra, em Salvador. Localizado em meio a locais históricos da capital baiana, o prédio foi projetado para ter 30 andares, uma altura que destoaria do restante da região e descaracterizaria o local. Por conta disso, em 2014 o projeto recebeu parecer contrário do Escritório Técnico de Licenciamento e Fiscalização de Salvador (Etelf)

A superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) da Bahia, entretanto, deu parecer favorável à obra, e extinguiu o Etelf. A construção, então, foi autorizada pela prefeitura da capital, comandada por ACM Neto, aliado de Geddel Vieira Lima.

Ocorre que o Iphan nacional, subordinado ao Ministério da Cultura, cassou o parecer favorável à obra concedido pelo Iphan baiano, determinando que a construção fosse suspensa e o projeto, readequado para ter 13 andares e não 30.

E qual é o interesse de Geddel no empreendimento?

O ministro alega que defendeu as obras porque elas gerariam emprego e movimentariam a economia de Salvador. Na realidade, Geddel tem um apartamento no La Vue Ladeira da Barra, avaliado em 2,6 milhões de reais, e que ficaria no 23º andar do prédio (e não seria construído, portanto, caso a decisão do Iphan se mantivesse).

Além disso, Jayme Vieira Lima Filho, primo de Geddel, e o estagiário Afrísio Vieira Lima Neto, seu sobrinho, filho do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), são advogados do La Vue Ladeira da Barra junto ao Iphan.

E o que Geddel fez para apressar as obras?

De acordo com Marcelo Calero, Geddel o procurou pelo menos cinco vezes, por telefone e pessoalmente, para que o Iphan liberasse as obras. No fim de outubro, afirma o ex-ministro da Cultura, Geddel revelou o interesse pessoal na obra. “Já me disseram que o Iphan vai determinar a diminuição dos andares. E eu, que comprei um andar alto, como é que eu fico?”, teria indagado Geddel.

Em seguida, Geddel teria ligado novamente ao então ministro da Cultura e ameaçado acionar Michel Temer e pedir a cabeça da presidente do Iphan. “Então você me fala, Marcelo, se o assunto está equacionado ou não. Não quero ser surpreendido com uma decisão e ter que pedir a cabeça da presidente do Iphan. Se for o caso eu falo até com o presidente da República”, teria dito.

André Moura e Geddel Vieira Lima
22/11: O líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), que responde por tentativa de homicídio, entrega carta de apioio a Geddel (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O que mais Geddel fez para apressar as obras?

O interesse de Geddel na construção do La Vue é antigo. De acordo com a Folha de S.Paulo, em 2015 Geddel acusou os vereadores de Salvador de estarem sendo assediados pelo banqueiro Marcos Mariani para serem contra o empreendimento. Mariani, cuja família controla do banco BBM, é dono de uma mansão vizinha ao empreendimento.

“O banqueiro Marcos Mariani tá assediando vereadores, pois ele se acha o dono da Lad da Barra”, escreveu Geddel. Alguns vereadores reclamaram da fala e ameaçaram processá-lo. Ele, então, recuou.

Além disso, segundo Marcelo Calero, o atual diretor do Iphan da Bahia, Bruno Tavares, é uma indicação pessoal de Geddel. Em 2014, Tavares era o coordenador-técnico do Iphan responsável por dar o parecer favorável à construção do condomínio La Vue.

Ele substituiu Carlos Amorim, demitido por Juca Ferreira, então ministro da Cultura. Em publicação em sua página no Facebook, Ferreira afirmou que demitiu Amorim por conta de “denúncias graves de desmandos”, que incluíam “falsificações e montagens grotescas”. Ainda segundo Ferreira, Bruno Tavares seria “homem de confiança” de Amorim.

 

Além de Temer e Geddel, mais alguém pressionou Calero?

Segundo o ex-ministro da Cultura, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. De acordo com Calero, Padilha o procurou no início de novembro para dizer que a questão do La Vue estava “judicializada” e “não deveria haver decisão definitiva a respeito”. Padilha teria então sugerido que Calero construísse uma saída com a AGU.

O que Geddel diz sobre as acusações?

O ministro confirmou que tem um apartamento no La Vue e que conversou com Calero sobre as obras. Ele nega, entretanto, que tenha pressionado o ex-colega. “Em nenhum momento foi feita pressão para que ele tomasse posição. Foram feitas ponderações. Mas ao fim, ao cabo, as ponderações não prevaleceram, prevaleceu a posição que ele defendia apesar de eu considerar equivocada, o que torna ainda mais surpreendente o pedido de demissão e essa manifestação”, disse.

O que Temer diz das acusações?

Em comunicado lido pelo porta-voz do Planalto, Alexandre Parola, na noite de quinta-feira 24, Temer negou que tenha “enquadrado” Calero e disse ter procurado “arbitrar conflitos entre os ministros e órgãos da Cultura sugerindo a avaliação jurídica” da AGU. Ainda segundo Temer, ele “jamais induziu algum deles a tomar decisão que ferisse normas internas ou suas convicções.”

Quem investiga esse caso?

Na segunda-feira 21, cinco dos sete integrantes da Comissão de Ética da Presidência da República votaram pela abertura de procedimento investigativo contra Geddel, mas o pedido de vista do conselheiro José Saraiva adiou em um primeiro momento a votação para 14 de dezembro, quando se realizará a próxima reunião do colegiado federal.

Pouco depois de ter sua continuidade no governo garantida, Geddel pediu a Mauro Menezes, presidente da Comissão de Ética da Presidência, para antecipar a votação sobre o procedimento investigativo, ao que consta para “resolver isso logo”. O pedido foi prontamente atendido: logo após os clamores do ministro, Saraiva recuou do pedido de vista e o procedimento foi instaurado.

E quem é José Saraiva?

Saraiva é amigo de Geddel e foi indicado para Comissão de Ética por Michel Temer. Além disso, ele é advogado da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia, entidade patronal que representa construtoras no estado, entre elas, a Cosbat, dona do La Vue Ladeira da Barra, onde Geddel tem o apartamento.

E quem mais investiga o caso?

O depoimento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República, que têm competência para lidar com o caso, uma vez que tanto Temer quanto seus ministros têm foro privilegiado.

E a oposição, o que vai fazer?

Na noite de quinta-feira, o líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que vai entrar com um pedido de impeachment contra Temer. Ele afirma ver crime de responsabilidade nas ações que teriam sido praticadas pelo peemedebista.

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) disse ser necessário convocar Calero para prestar depoimento à Câmara e esclarecer as acusações. Isso pode manter o caso em evidência e ampliar a pressão sobre Temer.

Pode haver impeachment?

Como ficou claro no processo contra Dilma Rousseff, na prática o mérito da acusação em um processo de impeachment é algo praticamente irrelevante. Conta mais o apoio político do qual o presidente desfruta. No caso de Temer, ele é grande, ao menos neste momento. Alguns deputados saíram em sua defesa, incluindo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que seria responsável por abrir um processo de impeachment.

E se houver impeachment?

Se um eventual afastamento de Temer ocorresse até 31 de dezembro deste ano, uma nova eleição presidencial deveria ser convocada. Caso o eventual impeachment se dê a partir de 2017, uma eleição indireta seria realizada, na qual votariam apenas os deputados e senadores.

Por Carta Capital

Lindbergh reúne juristas, há motivos para impeachment de Temer: 

Em tempo de prisões, algum político resistiria a nove delações?

A caça as bruxas contra políticos está aberta. A cada operação da lava-jato vai fechando o cerco para alguns políticos.

O ex-deputado Eduardo Cunha foi preso em Brasília pela Polícia Federal no dia 19/10/2016. A polícia também esteve em sua casa na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. A prisão foi autorizada pelo juiz federal Sergio Moro, que passou a tratar do caso do ex-parlamentar depois que ele perdeu o foro privilegiado com a cassação de seu mandato. Moro determinou a prisão do ex-deputado afirmando que sua liberdade representava risco “à instrução do processo, à ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade (Cunha é italiano e brasileiro)”, afirma em nota a Justiça Federal do Paraná.

O secretário de Governo de Campos dos Goytacazes e ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, foi preso, no Flamengo, Zona Sul do Rio, por agentes da Polícia Federal. Ele é um dos investigados na Operação Chequinho, que apura o uso do programa social Cheque Cidadão para compra de votos na cidade em 2016.

A Polícia Federal também prendeu o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral sob a suspeita de receber milhões em propina para fechar contratos públicos. Ele é alvo de uma operação que apura desvios em obras do governo estadual. O prejuízo é estimado em mais de R$ 220 milhões.

Após todas esta prisões que estão acontecendo (muitas ainda devem estar por vir), você conseguiria imaginar que algum político passaria imune a nove delações premiadas. Algum te vem a mente?

 

Confira também, Por que perseguem o melhor presidente da nossa história? 

E os 23 milhões de propina ao José Serra? Pergunta lá no Posto Ipiranga

Que a propaganda da rede de postos Ipiranga é um sucesso de publicidade, ninguém discorda.


A ideia da empresa que criou essa bem-humorada e envolvente peça publicitária, a Talent, é passar a imagem de que a rede de postos de combustíveis é completa, tem tudo o que o consumidor precisa e é conhecida nos lugares mais inóspitos por todo tipo de gente.

A frase “Pergunta Lá No Posto Ipiranga” virou um bordão para perguntas difíceis.

Para o ícone da publicidade, Nizan Guanaes, “se você quer saber o que é propaganda que vende, de onde veio, para onde vai, se é digital, tradicional etc.; é fácil encontrar a resposta. Pergunta lá no posto Ipiranga.”

Só que às vezes aparece um aloprado que acaba transformando uma genial criação de marketing numa faca de dois gumes.

O dono do posto Ipiranga na Av. 13 de Maio, 756, em Ribeirão Preto (SP), Silvio Capelão, tem por hábito promover protestos com faixas no estabelecimento contra o PT, Dilma e Lula.

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No Facebook, o empresário declarou apoio ao impeachment e compartilhou montagens grotescas da ex-presidenta e até foto de manifestação que pedia a volta dos militares.

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É um legítimo aloprado garoto propaganda da direita raivosa.

O limite da liberdade de expressão está sendo questionado por meio de uma peticão virtual com mais de cinco mil assinaturas, que sugere “Boicote ao Posto Ipiranga por calúnia e difamação contra LULA.”

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A falta de bom senso do empresário é que parece não ter limite, pois a faixa constrange clientes e impõe discriminação de natureza política.

Ao posto que a propaganda insinua que há resposta pra tudo, dá pra encaminhar várias perguntas difíceis sobre mensalões, trensalão e petrolão, mas sugiro recentes:

– Por que a imprensa tem ignorado delação da Odebrecht que revela o pagamento de R$ 23 milhões a José Serra, candidato tucano à presidência da República, em 2010, em forma de propina, via caixa 2, numa conta secreta na Suíça?

– Por que Temer não pediu ou mandou Serra deixar o ministério antes que os executivos da empreiteira entreguem os recibos dos depósitos, que corrigidos pela inflação chegariam a mais de R$ 34 milhões?

– Por que os parlamentares querem mudar às pressas regras para acordos de leniência e beneficiar empresas investigadas pela Operação Lava Jato, na iminência da delação bombástica da Odebrecht?

– Anistiar caixa 2 e reduzir punições a empresas envolvidas em corrupção não comprova o roteiro do “Pacto” nacional para estancar a sangria da Lava Jato?

– Por que o relator do projeto de Lei 4850/16 que contempla as Dez Medidas de Combate à Corrupção, deputado Onix Lorenzoni, aceitou retirar do texto a previsão de crime de responsabilidade para integrantes do Ministério Público e juízes?

– E a propina de 1 milhão de reais que Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, disse que deu à chapa Dilma/Temer e que confere com um cheque nominal do PMDB a Temer?

– Até dezembro rola mesmo a delação que envolve 70 executivos e ex-executivos ligados ao grupo Odebrecht que promete esclarecer desvios estimados entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões?

Como dito, são perguntas difíceis.

Talvez no Posto Ipiranga do Silvio Capelão, antipetista convicto e militante, haja resposta pra todas.

Por telefone, nesta quinta-feira (16), a atendente disse que os protestos – só contra petistas investigados – são comuns no posto e que não podia confirmar se havia alguma faixa pendurada hoje, porque “não dava pra ver”.

Eu, claro, usei o bordão: pergunta lá no Posto Ipiranga!

Luciana Oliveira, bacharel em Direito, jornalista e ciberativista de causas sociais. Blogueira progressista e membro da Comissão Nacional de Blogueiros.

 

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Alexandre Garcia admite que errou ao espalhar falso boato da mansão de Lula no Uruguai

Alexandre Garcia se retrata por ter mentido sobre mansão do Lula

Após afirmar que Lula teria uma mansão em Punta Del Este, Alexandre Garcia volta atrás e se retrata. Amigo vizinho da suposta mansão teria o alertado da incoerência

na Revista Fórum

O jornalista e apresentador da TV Globo, Alexandre Garcia, ao comentar uma reportagem da Revista IstoÉ associou o ex-presidente Lula a uma mansão em Punta Del Este.

Garcia afirmou que a Operação Lava Jato estaria investigando Lula por, supostamente, ter recebido indevidamente o imóvel de presente do empresário Alexandre Grendene Bertelle, um dos donos da rede de industrias de calçados Grandene. O empresário seria dono de uma várias mansões em Punta Del Este.

Lula processou a IstoÉ pela calúnia e ao perceber que também seria processado, Garcia foi ao ar dizendo que um amigo e vizinho da suposta mansão dada a Lula por Grandene, alertou o colega que nunca vira Lula ou Grandene no local e que o imóvel não pertencia ao ex-presidente.

Na retratação, Garcia atribui seu erro a um boato.

“Como surgiu essa história? Quando fazem viagens em Punta, aquelas casa maravilhosas […] os guias, querendo se mostrar dizem ‘olha, aquela é a casa do Collor, aquela ali é do Eduardo Cunha, aquela ali é do Juscelino, a outra é a do Lula, que ganhou de fulano’. É, não tem nada a ver com isso”.

Ou seja, Garcia admite que quando é para incriminar Lula basta um boato espalhado por guias turísticos. Já sobre José Serra, cuja delação de Marcelo Odebrechet fala de um depósito de R$ 23 milhões numa conta na Suiça, nenhum comentário.

(…)

Glenn Greenwald: mídia brasileira sufoca a liberdade de imprensa

Gleen Greewnald é um dos jornalistas mais respeitados do mundo. Entretanto, continua sendo uma pessoa simples, que dá entrevistas a quem lhe pede, conversa com todos nas redes sociais, e mantém opiniões firmes sobre política, no Brasil e nos EUA.

A imprensa americana, seja conservadora, liberal ou progressista, discordando ou não de suas opiniões, respeita o Greenwald. O Washington Post, jornal conservador, acaba de publicar um artigo de opinião seu, sobre a vitória de Trump.

Aqui no Brasil, Glenn só tem dado entrevistas à mídia alternativa, porque a imprensa comercial, atolada até o pescoço no golpe, treme de pavor diante da possibilidade de que seus leitores saibam que o jornalista mais respeitado dos Estados Unidos, que vive no Brasil há muitos anos, tem uma posição firme contra o golpe de Estado, contra o governo golpista e contra uma mídia que, segundo ele, não mais pratica jornalismo e sim publicidade.

Aos coxinhas, incluindo aí jornalistas globais, que tentam mostrar Glenn como um “militante” (como se eles, os globais, não fossem militantes do golpe), basta responder que ele é ganhador não apenas do prêmio Pullitzer, o principal prêmio de jornalismo dos Estados Unidos, como também recebeu, no Brasil, o Prêmio Esso de Jornalismo, um dos mais tradicionais por aqui.

Leiam a entrevista que ele deu à uma agência de notícias vinculada ao Centro de Ensino Unificado de Brasília (Uniceub).

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Na Agência de Notícias da Uniceub

Brasil está submisso a americanos e mídia nacional é composta por facções, critica jornalista Glenn Greenwald

O governo de Michel Temer tem perdido parcela da soberania ao se tornar submisso aos interesses dos Estados Unidos. É o que acredita, e com espanto, o jornalista americano, residente no Brasil e dono do blog The Intercept, Glenn Greenwald. Além de criticar o momento atual desde o processo de impeachment da ex-chefe de Estado, Dilma Rousseff, o jornalista também faz duras críticas aos grandes conglomerados da mídia brasileira, os quais acusa de fazer “publicidade” e não jornalismo. A Agência de Notícias UniCEUB conversou com o profissional durante passagem dele por Brasília.

A diversidade e a pluralidade de opiniões são elementos essenciais ao bom jornalismo, mas para o fundador do The Intercept, os grupos de mídia no Brasil não têm exercido essas características. Ele ressalta que as “facções” controladoras dessas empresas possuem interesses muito iguais, o que afeta a produção do conteúdo.

Greenwald lembra também que a ONG Repórteres Sem Fronteiras rebaixou o Brasil para a 104ª posição no ranking de liberdade de imprensa no mundo. A organização deu dois motivos: o primeiro é o alto índice de violência contra jornalistas independentes no país. Já o segundo é o aspecto mais polêmico, pois a ONG defende que as grandes corporações de mídia pararam de se comportar como empresas jornalísticas e passaram a tentar “destruir” o governo eleito.

O jornalista conta que a entidade é respeitada no mundo por se posicionar contra ameaças a um determinado jornalista ou contra jornais e raramente intervir em problemas nacionais. “Mas neste caso, eles puderam ver que a situação aqui foi tão extrema que era necessário fazer comentários e explicitar que essa situação é contra a liberdade de imprensa”, afirma o repórter.

Com o avanço das tecnologias e o surgimento das redes sociais, mudanças na forma de se transmitir a notícia têm gerado impacto nos veículos de comunicação. Para Glenn Greenwald, agora as organizações não monopolizam as informações como “faziam” antes. “Quando você pensa que a informação no Brasil é controlada por poucas famílias e se tornaram propagandas, parece uma situação muito ruim, mas eu tenho muito otimismo com relação ao futuro”, conta.

Confira a entrevista do jornalista sobre a mídia internacional:

Impeachment

Pela segunda vez desde a redemocratização, o Brasil afastou um presidente eleito por meio do processo de impeachment. No começo, a mídia internacional lidava com a situação da ex-chefe de governo Dilma Rousseff de forma semelhante à mídia local. Diziam que o povo no Brasil não aguentava mais o governo petista e que lutava contra um governo corrupto. No entanto, o jornalista lembra que as empresas internacionais mudaram de posição. “A mídia internacional começou a olhar, não só para Lula ou Dilma, mas para quem iria ocupar o poder depois do afastamento. Mas quando começaram a olhar para Michel Temer e Eduardo Cunha, que tinham diversas acusações de corrupção, tirando uma pessoa eleita em nome da corrupção, isso ninguém conseguiu entender”.

Para o jornalista, os integrantes do novo governo acabam assumindo que foi montada uma “fraude” para levar Michel Temer ao palácio do Planalto. “Seis semanas atrás, Michel Temer foi a New York e assumiu que o processo de impeachment se deu por ideologia, porque o PT não aceitou a agenda do PMDB (Ponte para o Futuro) e a mídia simplesmente ignorou isso”.

O problema hoje está com a mídia, que segundo Greenwald, ajudou a instalar um governo mais corrupto do que o da presidente afastada em nome da corrupção. “A solução que a mídia teve até agora é simplesmente ignorar os fatos que mostram a corrupção dos membros do governo. Por exemplo, foi divulgado que o ministro José Serra recebeu 23 milhões de reais em caixa dois. A Globo não mencionou isso”.

Confira a entrevista do jornalista sobre espionagem governamental:


Submissão internacional

“Eu não entendo como a direita brasileira que gosta de mostrar força, dizer que são ‘machos’, que querem defender tudo, é totalmente submissa ao governo norte-americano. Eles querem servir”.

O repórter também acusa a atual gestão de fazer “tudo” em favor dos interesses do Estado americano. “Michel Temer é quase escravo dos Estados Unidos. Há pessoas de dentro do governo americano que não conseguem acreditar quantos benefícios eles estão recebendo (do Brasil)”, explica.

Por Lucas Valença

Bob Fernandes: ‘Anistia ao Caixa II’ seria o Escândalo dos Escândalos

A “Anistia ao Caixa II” articulada dentro e fora do Congresso é o Escândalo dos Escândalos. Tramado como se fosse algo banal, normal.

Parece não existirem autores nessa articulação, e soa a tarefa impossível descobrir mentores e executores.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara já deixou escapar algo. De resto, essa escandalosa “Anistia” parece fruto de geração espontânea.

Multiplicando-se, manchetes vão naturalizando a “Anistia”. A repetição como fato a ser consumado vai tornando-a aceitável.

Autoria sempre de uma gente sem nome: “grandes empresários”, “líderes partidários” etc.

Mas enfim alguém grande disse algo publicamente: o juiz Moro, em entrevista ao Estadão.

Disse Moro: “Sobre eventual proposta de Anistia, creio que é prudente aguardar eventual formulação concreta antes de opinar”.

Disse também ser “impensável” anistia “para crimes de corrupção ou lavagem”.

Bem, é só o que falta…

Estratégias de Manipulação em Massa. Como somos manipulados

Noam Chomsky, um linguista, filósofo e ativista político norte-americano, é professor no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Chomsky tem dedicado parte do seu tempo à análise dos meios de comunicação de massa em “A Manipulação do Público”, livro escrito em conjunto com Edward S. Herman, explorou este tema em profundidade.




Elaborou então a lista das dez estratégias de manipulação usadas através dos meios de comunicação social. Confira!

Leandro Karnal: PEC 55/2016 (241) e a ineficácia do Estado

Em entrevista o professor da Unicamp, Leandro Karnal analisa os efeitos da PEC 241, proposta do governo Temer que congela os investimentos públicos e os salários dos servidores por 20 anos.

Confira no vídeo abaixo:

Os três intelectuais progressistas brasileiros que ganharam as redes sociais

Por Pedro Zambarda de Araujo, DCM

Antenados com as redes sociais e presentes em eventos nacionais e globais, três intelectuais mobilizam e conseguem convidar os jovens a refletirem sobre política, dia a dia e educação.


Eles têm livros nas listas dos mais vendidos e falam de temas variados, de marxismo a futebol e relacionamento amoroso.

Clóvis de Barros Filho é formado em Direito pela Universidade de São Paulo e em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, com um mestrado em ciência política na Sorbonne e dois doutorados, um também em Direito na França e em ciências da comunicação no Brasil.

Pesquisou a Constituição de 1988 e o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que realça as importância da prática na vida comum e a construção de representações simbólicas. Ele ministra aulas na USP e na Casa do Saber. Foi coordenador de cursos de mestrados na ESPM por dois anos, entre 2006 e 2008.

Formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), o historiador Leandro Karnal fez doutorado na USP com o tema “formas de representação religiosa no Brasil e no México durante o século 16”. É professor na Unicamp e atualmente é um dos colunistas mais lidos no jornal O Estado de S.Paulo, num espaço que estreou em julho deste ano.

Mario Sergio Cortella é professor na PUCSP, com formação em filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira. Fez mestrado e doutorado pela mesma PUC em “filosofia como produção histórica” e epistemologia, a teoria do conhecimento. É um pensador brasileiro muito vinculado com a questão da educação no Brasil e estuda, desde a graduação, como o liberalismo, o marxismo e a doutrina religiosa se envolvem com a sociedade.

Os três são best-sellers nas livrarias, em obras conjuntas ou em trabalhos separados. “A vida que vale a pena ser vivida” é o livro mais vendido de Clóvis de Barros, com 200 mil exemplares, embora o campeão no mercado seja Mario Sergio Cortella com “Qual tua obra? – Inquietações propositivas sobre ética” na marca de circulação de 500 mil. Leandro Karnal aparece com a obra “Pecar e Perdoar: Deus e o homem na história”, com 20 mil cópias vendidas.

Nascido em Londrina, Cortella se define como um homem de esquerda, é fã do ex-presidente Lula e afirmou no Jornal da TV Cultura que Dilma Rousseff foi a presidente que mais combateu a corrupção.

No Facebook, tem quase 700 mil curtidas e lançou um trabalho recente com Gilberto Dimenstein, o diretor do portal Catraca Livre, sobre curadoria de conteúdo na internet.

O gaúcho Leandro Karnal se define mais como uma pessoa de centro, nem de esquerda e nem de direita, apesar de criticar os reacionários nas redes sociais e os analfabetos funcionais. Ele escreveu no Facebook em setembro: “Eu dou aula há 34 anos, logo, problemas de interpretação de texto são antigos conhecidos. Hoje encerro o domingo espantado. Escrevi na minha coluna: ‘São os fatos e posições do presente que dizem se Che Guevara foi um herói (o ‘maior homem da história’ para Sartre) ou um canalha assassino (para outros)’. Já recebi mais de cem mensagens gritando e me insultando por eu ‘defender’ Che Guevara. Vários perguntam se eu não sei que ele matou pessoas. Sim, eu sei, provavelmente mais do que os que reclamam! Releio o que eu escrevi 10 vezes para ver se há algo assim. Não encontro. Será analfabetismo galopante, má fé, imbecilidade estrutural ou a palavra Che Guevara interrompe o fluxo neuronial?”.

No Estadão, seus leitores continuaram falando bobagens sobre o texto, mas, nas redes sociais com seus mais de 600 mil fãs, Karnal é querido dos progressistas justamente por ter uma postura ponderada.

Em sua participação mais recente no programa Roda Viva, posicionou-se contra a ideia de “Escola Sem Partido” da direita. Ele também chamou abertamente numa palestra os leitores da revista Veja de “fascistas”.


Clóvis de Barros dá entrevistas à Globo e aos grandes meios de comunicação, mas defende abertamente a leitura crítica de Karl Marx e uma visão crítica sobre os “pobres de direita”. O comunicador conversa com mais de 170 mil seguidores no Facebook.

Segundo a lista de livros mais vendidos da revista Veja em novembro, Karnal e Clóvis de Barros aparecem na quarta colocação entre os livros de não-ficção com “Felicidade ou Morte”. Na sétima posição do mesmo ranking, Karnal e Cortella assinam um livro com o conservador Luiz Felipe Pondé e o jornalista Gilberto Dimenstein chamado “Verdades e Mentiras: Ética e Democracia no Brasil”.

Pondé e Karnal participaram de um Roda Viva com YouTubers e influenciadores digitais. Karnal exemplificou, por exemplo, como é necessário ter alguma leitura antes de manifestar opiniões na internet.

Karnal, Cortella e Clóvis de Barros fazem palestras que reúnem entre 500 e 3 mil pessoas. As reproduções dos vídeos das palestras na internet reúnem milhões de visualizações.

O sinal mais claro de que eles estão no caminho certo é que Olavo de Carvalho os chamou de “analfabetos funcionais”. Num país que onde energúmenos seguram cartazes onde se lê “Olavo tem razão”, ter este trio fazendo sucesso ao defender um pensamento consistente e progressista é uma luz no fim do túnel.