Movimento de Temer e PMDB dispara alerta na Lava Jato

Na tarde daquela quinta-feira (19), quando foi informado do acidente que matou Teori Zavascki, o presidente Michel Temer tomou sua decisão: indicaria Alexandre de Moraes para a vaga de décimo primeiro ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).




A fidelidade e convivência de mais de duas décadas com o hoje presidente fizeram de Moraes o nome ideal para o Planalto em tempos de avanço da Lava Jato sobre importantes quadros do governo.

Filiado ao PSDB, o então ministro da Justiça era também apoiado por tucanos e peemedebistas, que pediram a Temer uma indicação política para o cargo na corte.

Na avaliação de aliados, Temer começou ali a “jogar de vez seu xadrez”. Pediu discrição a Moraes, deixou vazar informações de que procurava um técnico para a vaga de Teori e viu nomes como o de Ives Gandra Filho, presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), aparecerem e desaparecerem com quase a mesma velocidade nas bolsas de apostas.

Auxiliares do presidente disseminaram ainda a tese de que a indicação de Temer precisaria agradar à presidente do STF, Cármen Lúcia, com quem o peemedebista tem relação instável. Moraes, no entanto, não cumpria esse requisito.

A amigos a ministra já confidenciou não gostar de certas posições do até então ministro da Justiça mas, diante de Ives –de perfil ainda mais conservador–, a presidente da corte assentiu a Temer.

Um aliado definiu a jogada como “tacada de mestre” ao lembrar que a indicação de Moraes foi combinada à articulação da cúpula do PMDB –liderada por Renan Calheiros (AL)– que alçou um investigado na Lava Jato, Edison Lobão (MA), à presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

O colegiado, composto por 54 parlamentares, dez deles investigados pela operação, sabatinará o indicado ao STF e se tornou ainda mais estratégico após a homologação das delações da Odebrecht.

Integrantes do Ministério Público, por sua vez, afirmam em caráter reservado que a montagem da CCJ não causa preocupação por conta de Moraes, mas sim porque será dela a incumbência de sabatinar e aprovar, em setembro, o próximo procurador-geral da República.

Outro movimento observado de perto por procuradores e políticos foi quando Gilmar Mendes se levantou esta semana contra as “alongadas prisões” de Curitiba, o que foi interpretado como uma senha de que ele poderia atuar para soltar o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde outubro.

Membro da força-tarefa, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima rebateu Gilmar e disse que “prisões são necessárias”.

Era mais um recado do núcleo da operação, que já havia voltado sua atenção para a transferência, no início de fevereiro, do ministro Edson Fachin para a segunda turma do Supremo, o que o tornou, por sorteio, o novo relator da Lava Jato no tribunal.

O Planalto comemorou.

Em dezembro de 2015, Fachin assombrou petistas ao votar, como relator, contra a tese do governo de Dilma Rousseff sobre o rito do impeachment. Depois de sinalizar, nos bastidores, que seria favorável à tese da defesa da então presidente, o ministro deu um cavalo de pau na segunda metade de seu voto.

Em mais uma ação que incomodou procuradores, Temer nomeou, na quinta (2), um de seus principais aliados, Moreira Franco, para a Secretaria-Geral da Presidência, conferindo a ele status de ministro e foro privilegiado no STF.

Moreira foi citado na delação de Cláudio Melo Filho, da Odebrecht, que o acusou de ter recebido dinheiro para defender interesses da empreiteira, o que ele nega.

Cinco dias depois, o genro de Moreira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), articulou a aprovação de urgência para um projeto que poderia reduzir o poder do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde corre um processo contra a chapa Dilma-Temer.

Diante da repercussão, Maia afirmou, no dia seguinte, que não votaria o texto sem acordo. Horas depois, viu seu nome aparecer em um relatório da Polícia Federal.

Um pessoa com acesso às investigações diz que, a cada movimento contra a Lava Jato, haverá reação. Nas palavras dela, “será uma guerra aberta”.

Com informações de Folha de São Paulo.

Blogueira da direita espalha notícia falsa e provoca assédio contra filha de Nassif

Da Rede Brasil Atual – Uma notícia falsa publicada pela jornalista Joice Hasselmann, ex-Veja, foi uma das origens de uma onda de ataques e ameaças em redes sociais desferidas à filha do jornalista Luis Nassif. Ela vem sendo atacada por grupos de direita acusada de ter “comandado” protesto contra o juiz Sérgio Moro, durante palestra proferida em Nova York na última segunda-feira (7).




“Filha de Nassif comanda ato contra Moro em NY”, escreveu Joice em postagem no Facebook. A homônima Luiza Nassif, de 29 anos, estudante de Economia da New School, em Nova York, que participou das manifestações onde Moro deu palestra, aparece citada em matéria do jornal Folha de S.Paulo. Por livre associação, sem a devida checagem, Joice transformou a estudante em filha do editor do Jornal GGN.

O jornalista afirma que a filha nada tem a ver com o fato. Ataques e xingamentos estariam trazendo transtornos a sua vida pessoal e profissional, segundo Nassif.

A falsa informação foi posteriormente replicada por outros sites e blogs conservadores. Na postagem, Joice Hasselmann associa à participação da “filha” a pagamentos de R$ 5,7 milhões recebidos por Nassif “do governo petista”.

Fonte ligada ao Jornal GGN, de Luis Nassif, esclarece que esse montante se refere à venda de espaço publicitário a órgão públicos, desde o governo Fernando Henrique Cardoso, segundos critérios definidos pela Secretaria de Comunicação (Secom), e possíveis de serem consultados através do Portal da Transparência. Durante os protestos, a filha de Nassif, formada em Administração, permaneceu em São Paulo, onde reside.

Joice Hasselmann ganhou destaque nos círculos conservadores durante as manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Demitida de Veja em 2015, Joice foi denunciada no Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Sindjor-PR) por plágio de 65 matérias e reportagens em passagens anteriores por veículos como Gazeta do Povo, Bem Paraná e G1, ao longo de 2014.

O conselho comprovou a denúncia e encaminhou o caso para a Comissão Nacional de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Segundo o conselho paranaense, ela foi advertida por produção comercial de um artigo sem autorização do profissional e da entidade que detém a sua propriedade intelectual e excluída dos quadros do sindicato.

A palestra de Sérgio Moro em Nova York ocorreu no âmbito de um congresso empresarial, “Construção de Instituições, governança e conformidade no Brasil: política e negócios”, evento promovido, entre outras entidades, pela Lemann Center for Brazilian Studies, do empresário Jorge Paulo Lemann. Sócio da Ambev e dono da Budweiser, Burger King e Heinz, Lemann é o homem mais rico do Brasil e 19º do mundo, segundo a Forbes, com patrimônio de US$ 28 bilhões.

A jornalista Heloisa Villela informou em texto para o blog Vi o Mundo que o juiz Sérgio Moro entrou e saiu de Nova York sem ser notado pela imprensa americana. Ao subir ao palco montado na biblioteca da Universidade de Columbia para a palestra, foi interrompido por uma mulher que estava na plateia. Ela e outros quatro manifestantes foram retirados.

Aos manifestantes se juntaram alunos da New School, co-patrocinadora do evento, que propuseram incluir pelo menos uma voz discordante para que o debate fosse mais equilibrado. Luiza Nassif, do grupo da New School, disse que os estudantes conseguiram verba da faculdade para pagar passagem e estadia de um jurista para fazer o contraponto a Moro no debate.

A organização do evento, porém, não abriu a possibilidade. Os alunos da New School redigiram carta aberta expressando preocupação e decepção. “Quando suas instituições dão voz ao Juiz Sérgio Moro, vocês dão legitimidade a um homem cujas ações e agenda pessoal violaram princípios básicos da Justiça internacional e jogaram o Brasil em um abismo político-econômico.”

Do lado de fora, nas escadarias de Columbia, a feminista, professora e doutora de Ciências Políticas e Sociais da New School, Nancy Fraser, se juntou aos protestos dos estudantes. Disse que esperava ver outras vozes incluídas no debate, já que o encontro contou com o apoio financeiro da universidade na qual ela trabalha.

Caso Banestado: Senador Requião relembra maior roubo do Brasil

O senador Roberto Requião fez um duro pronunciamento sobre a mãe de todas as corrupções.


Não foi mensalão, não foi petrolão.

Foi o Banestado.

(Na época, a imprensa não dava apelido com “ão”, não fazia infográficos, charges, não fazia campanha).

Os desvios chegaram a mais de US$ 124 bilhões, ou quase R$ 500 bilhões.

Calculem aí quem souber o quanto isso significaria hoje, contabilizando a inflação.

O próprio Requião lembra que o valor correspondia a bem mais do que as reservas internacionais do Brasil.

É um escândalo totalmente tucano, mas nenhum tucano foi preso.

O juiz do caso foi Sergio Moro, alguns procuradores eram os mesmos da Lava Jato. Não fizeram nada.

Moro soltou Youssef, o principal doleiro do escândalo, e Youssef voltou a roubar.

Discurso de Roberto Requião.

Senhoras e senhores senadores,

Quero aproveitar hoje esse clima justiceiro que faz arder em santa ira os corações dos que levantam as bandeiras do civismo e da luta contra a corrupção, para lembrar o maior escândalo, o escândalo-mãe de todas as vergonhas e malfeitos recentes.

Vou relembrar aqui o caso Banestado, devassa feita entre os anos 1966 e 2002, época em que, como se sabe, o hoje tão indigitado partido dos trabalhadores era oposição. E o PSDB, PMDB, PTB, PFL, agora DEM, eram governo.

A investigação do caso Banestado, intitulada no âmbito policial de ‘Operação Macuco’, foi a maior investigação criminal do país de todos os tempos, e a precursora de outras grandes operações que se sucederam nas gestões dos presidentes lula e Dilma.

O caso Banestado começou na delegacia da Polícia Federal de foz do Iguaçu, para apurar o uso irregular das contas CC5 do banco, conforme menção do relatório final da CPI dos Precatórios, tendo, à época, contado com o entusiasmo e a colaboração do procurador da República Celso Três.

A foto mais obscena destes nossos tempos é da festa da IstoÉ

No futuro, essa foto, mais do que qualquer outra imagem, será a representação simbólica desses dias de caos e desesperança.

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É o instantâneo de todo o absurdo em que vivemos: um clarão sobre as personagens tétricas de uma ópera bufa patrocinada por uma revista que, hoje, é o emblema máximo da indigência moral da mídia e dos jornalistas brasileiros.

Nela, estão todas as deformações possíveis que resultaram do golpe parlamentar que derrubou uma presidenta eleita e jogou o País no lixo da História: o presidente ilegítimo, o juiz parcial, o senador patético, o governador bestial e o ministro sem sentido.

 Que o juiz da região agrícola e o senador multicitado na Lava Jato tenham sido flagrados entre sussurros e risadas, não há de admirar ninguém.

Essa intimidade obscena, protagonizada por essas duas figuras lamentáveis, em um convescote de quinta categoria, é, literalmente, o retrato da república de bananas que nos tornamos.

Publicado originalmente no Facebook de Leandro.

 

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Em tempo de prisões, algum político resistiria a nove delações?

A caça as bruxas contra políticos está aberta. A cada operação da lava-jato vai fechando o cerco para alguns políticos.

O ex-deputado Eduardo Cunha foi preso em Brasília pela Polícia Federal no dia 19/10/2016. A polícia também esteve em sua casa na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. A prisão foi autorizada pelo juiz federal Sergio Moro, que passou a tratar do caso do ex-parlamentar depois que ele perdeu o foro privilegiado com a cassação de seu mandato. Moro determinou a prisão do ex-deputado afirmando que sua liberdade representava risco “à instrução do processo, à ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade (Cunha é italiano e brasileiro)”, afirma em nota a Justiça Federal do Paraná.

O secretário de Governo de Campos dos Goytacazes e ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, foi preso, no Flamengo, Zona Sul do Rio, por agentes da Polícia Federal. Ele é um dos investigados na Operação Chequinho, que apura o uso do programa social Cheque Cidadão para compra de votos na cidade em 2016.

A Polícia Federal também prendeu o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral sob a suspeita de receber milhões em propina para fechar contratos públicos. Ele é alvo de uma operação que apura desvios em obras do governo estadual. O prejuízo é estimado em mais de R$ 220 milhões.

Após todas esta prisões que estão acontecendo (muitas ainda devem estar por vir), você conseguiria imaginar que algum político passaria imune a nove delações premiadas. Algum te vem a mente?

 

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Em depoimento, Juiz Moro e MP não fazem perguntas a mulher de Cunha

O juiz Sergio Moro e o Ministério Público Federal decidiram não fazer questionamentos à esposa de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz, no processo em que ela é acusada de usufruir das contas no exterior que o ex-deputado federal teria supostamente abastecido com recursos desviados de esquemas na Petrobras.

Cláudia Cruz, por ordem de seu advogado, avisou a Moro que só iria responder as perguntas da defesa. O juiz concordou e abriu espaço para que o Ministério Público fizesse perguntas, ainda que para deixá-las apenas registradas, mas o procurador também decidiu não participar.

Moro justificou sua postura dizendo que “normalmente” não faz perguntas quando o acusado decide ficar em silêncio integralmente.

Confira vídeo abaixo: